27 de outubro de 2010

TARDE DE MAIS



TELEFONE TOCA

ELE: ALÔ!
ELA: OLÁ!
ELE: QUEM É
ELA: SOU EU
ELE: O QUE VC QUER.
ELA: DIZE QUE TE AMO.
ELE: DE NOVO! VOCÊ NÃO CANSA?
ELA: QUEM AMA NÃO CANSA.
ELE: ACABOU!!!
ELA: QUER DIZER QUE EU NÃO SIGNIFIQUEI NADA PRA VOCÊ?
ELE: AGORA NÃO IMPORTA, VOU DESLIGAR.
ELA: NÃO POR FAVOR!
ELE: POR QUE NÃO?
ELA: POR QUE TE AMO!
ELE: ENTÃO ME ESQUEÇA.
ELA: NÃO POSSO, PREFIRO MORRER AO TE ESQUECER.
ELE: ENTÃO SE MATE.
UMA SEMANA DEPOIS UM CURIOSO PERGUNTA DO QUE ELA MORREU.
O BOMBEIRO FALA: ELA AMAVA ALGUÉM.
A MÃE FALA: ELA SE SUICIDOU.
ENTÃO NO DIA DO ENTERRO ESTAVA LÁ O GAROTO PRONTO PARA PRESTAR A ÚTIMA HOMENAGEM,
BEIJA UMA ROSA E DIZ:
EU TAMBÉM TE AMO.
ELA LÁ DE CIMA RESPONDE: TARDE DE MAIS.


MORAL: É PRECISO PERDER PARA APRENDER A VALORIZAR QUEM AMAMOS. TEMOS QUE FALAR
TUDO HOJE POR QUE AMANHÃ PODE SER TARDE DE MAIS.

25 de outubro de 2010

Desejo você

Não quero fazer apenas amor contigo.
Quero muito mais,quero prazer, extravazar desejos,saciar o tesão, deixar fluir a emoção.
Não quero apenas a calmaria de um amor, quero as loucuras da paixão do sexo sem pudor realizar nossos sonhos e fantasias, saciar nossas taras e manias, quero me soltar no teu abraço perder toda timidez, todo embaraço.
Ser ativo e passivo, dominar e ser dominado.
Entre quatro paredes momentos sós, lá fora a madrugada silenciosa.
No quarto, nós dois as paredes mudas são testemunhas de dois corpos sedentos de amor que falam a linguagem dos amantes.
Em momentos extasiantes dois corpos nus, roupas espalhadas pelo chão,
lençóis amassados impregnados com o cheiro do nosso prazer, duas pessoas que trocam carícias com as mãos, com as línguas, bocas que se ofertam em beijos com ardente paixão.
Delícias de carícias um encaixe perfeito, eu dentro de você cindindo seu prazer, e as paredes mudas, testemunhas.
Desse, desejo sem fim!
Desejo dominá-la na Cama, Desejo tirar toda sua roupa.Desejo derramar mel em seu corpo.


"Desejo você "






4 de outubro de 2010

Sniper


* Em vermelho
( Capitão)

* Em branco (soldado)

Sniper
Trecho do livro (Elite da Tropa)

Como todas as melhores forças de combate do mundo, o BOPE tem seu sniper, aquele sujeito que é capaz de aparar o bigode de um gato com um tiro, a meio quilômetro de distância, mesmo no tumulto de um seqüestro. Nosso sniper era o Duque, sargento Alceu Duque dos Santos. Naquele fim de tarde, ele subiu a favela de Nazareth conosco, determinado a estrear seu novo fuzil Remington 7.62, de alta precisão, com cano flutuante e luneta Leopold. Alcançamos o platô lateral superior do morro, de onde tínhamos uma visão ampla da movimentação na favela. A incursão era preventiva.

Tínhamos notícia de que os vagabundos que comandavam o tráfico local pretendiam pôr o bonde na rua e barbarizar o bairro. Com BOPE fungando no cangote, a molecada não seria doida de brincar com fogo. Levamos visores noturnos e nos preparamos para passar a noite por ali mesmo.

Enquanto nos acomodávamos, ocupávamos os pontos estratégicos e planejávamos uma ação saneadora, para nos livrarmos de uma vez dos vagabundos daquela comunidade, o Duque se divertia com seu potente Remington 7.62, lustrado, elegante, girando pra lá e pra cá no bipé que o sustentava. Parecia um menino feliz mijando em direção às estrelas numa noite de verão, depois da primeira transa com a menina mais cobiçada da turma. Lá ia ele, virando para todos os lados a incrível luneta Leopold, acoplada à arma, fazendo pose de herói nacional.

Duque — eu disse —, acho que você andou assistindo muito filme de guerra, ultimamente. Está querendo brincar de bandido mocinho? Só falta fazer a trilha sonora, imitando o som dos projéteis que cortam o céu. O que é que você tanto olha? A favela está tranqüila, não tem ninguém fora de casa. A malandragem já sabe que a gente está aqui. Pode relaxar.

Eu sei, capitão, eu sei. É que daqui, com a luneta, também: dá pra ver perfeitamente a favela do Bugre.

Tudo bem. Eu tinha mais com que me preocupar. Chamei o Torres e o Vargas para definir alguns detalhes do plano de ação e me esqueci do nosso sniper.

Não passou muito tempo — uma meia hora, quarenta minutos, talvez —, o Duque me chama, agarrado à sua arma, o olho direito pregado na luneta:

— Capitão, capitão. Acho que estou com um bandido no alvo.

— Mas você está mirando para fora da favela.

— Pois é, capitão. Acho que identifiquei um vagabundo lá no Bugre.

— No Bugre, rapaz. Mas dá pra você ver que é um bandido. Como é que você sabe?

— Dá pra saber, sim, capitão. Dá uma espiada o senhor mesmo com seu binóculo. O cara está com um fuzil. Quer dizer, tudo indica que é um fuzil.

— Tudo indica ou é um fuzil?

— Mais ou menos.

— Como mais ou menos? É mais ou menos um fuzil?

— É um fuzil. Um fuzil. Dá pra ver o cano longo, direitinho. É fuzil no duro. Olha, só, capitão. Espia.

Apontei meu binóculo, me abaixei para ficar ao lado do fuzil, busquei a posição mais adequada, grudei os olhos nas lentes, mas não vi porra nenhuma. Nem fuzil, nem pessoa alguma, mal vislumbrava uma bruma leitosa, o mormaço tardio numa nuvem de areia.

— Não estou vendo porra nenhuma, Duque.

— O senhor já vai ver, capitão. Ajeita direitinho. Dá uma olhada naquela pedra. Tá vendo aquela pedra pontiaguda, grande, lá no alto? Agora, desce reto, passa pelas casas, a bicicleta, desce mais, morro abaixo, o verde, a terra e a alça de terra... Pronto. Achou? O senhor tá vendo?

Ele se esticou ao meu lado, meteu a cara, mexeu nos anéis que regulavam o visor e exclamou:

— Pronto. Agora, olha ele lá. Olha lá.

Olhei, fixei a vista com o máximo de intensidade. Via uma forma tênue longilínea que parecia se mover, mas eu nem tinha certeza se o vulto era uma pessoa, se efetivamente se movimentava, muito menos se portava uma arma.

— Você está doido, Duque. Está vendo coisas.


— Não estou não, capitão. É um cara, sim, e está armado.

— Deixa o cara, esquece.

— Pô, capitão, ele está bonitinho, bem na alça de mira. Deixa eu dar um teco. Vai ser um só.

— Que é isso, Duque? Esquece essa bobagem.

— Mas, capitão, o sujeito se mexe feito bandido, eu conheço essa gente. É um vagabundo, sim senhor.

— Esquece, porra.

— Puxa, capitão, ele está bem paradinho, quietinho, parece um passarinho pedindo um teco. É só um. Deixa eu dar uma pancadinha só.

— Duque, você já imaginou a merda que daria se você estivesse enganado? E se não houver fuzil nenhum? Se for uma bengala? Se for um pedaço de pau? Se for qualquer outra merda, cacete? Além do mais, dessa distância dificilmente você acertaria o seu passarinho. Porra, muda o disco. Relaxa. Deixa essa merda pra lá. Estica as pernas. Toma um gole d'água. Vem ajudar a gente a finalizar o plano.

— Puxa, capitão. Seria um tirinho só. Essa arma é a oitava maravilha do mundo. Não tenho como errar. Olha o filho da puta ali, logo ali, tranqüilo, paradinho. Capitão, ele está pedindo.

— Esquece, porra. Não enche o saco, Duque.

Pou!

Foi um estampido só.

Duque parecia tomado por uma compulsão. Parecia um drogado.

— Acertei o filho da puta, capitão. Acertei. Está no chão. O cara está no chão.

— Puta que o pariu, Duque. Quem foi que te deu a ordem, porra? Não ouviu o que eu disse?

— Pô, capitão, é que ele estava pedindo...

— Corre lá, caralho. Eu vou com você.

Chamei alguns soldados para nos acompanharem.

— Vamos ver o que você aprontou.


Descemos a favela de Nazareth, numa carreira desabalada. Atravessamos algumas ruas. Chegamos à base da favela do Bugre, que parecia pacificada, seja porque estávamos ali por perto, seja porque tínhamos leito, uns dias antes, um trabalho do tipo antibiótico tarja-preta: de amplo espectro. Não deixáramos pedra sobre pedra. Se bem que, se o Duque estava certo, alguma semente talvez tivesse resistido e já começasse a se desenvolver novamente — mas isso era sempre assim. Subimos com cautela, profissionalmente, mas em alta velocidade. Eu já havia suado o equivalente ao índice pluviométrico daquele mês inteirinho. Finalmente, chegamos à área onde o Duque supostamente atingira seu alvo. Um bolo de gente cercava um sujeito estirado. Todo mundo correu, quando nos viu. O cara estava vivo, chorava e apertava a região pélvica. Alguns metros adiante, os bagos boiavam numa poça de sangue, espalhados, estilhaçados. Ao lado do pobre coitado, o fuzil que só o Duque tinha visto. Visto ou intuído, sei lá. A moral da história parecia ser essa mesmo: para o sniper, mais importante que a pontaria é a intuição. Pensei que o Duque fosse tirar uma onda e gozar da minha cara — entre nós o companheirismo era muito mais profundo e antigo do que a relação hierárquica. Mas ele estava inconformado:

— Porra, capitão, que merda. Ainda não me acostumei com essa arma. Que merda. Sacanagem com o cara. Olha só que cagada. Não era isso que eu queria fazer. Se eu acerto, o sujeito não ia nem sentir.